Risco de escassez de energia de 6,1% é preocupante para o governo

Apagão - 11/02/2015

Prime Energy
Research

O risco de déficit no abastecimento de energia elétrica nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste subiu de 4,9% em janeiro para 7,3% em fevereiro. O teto do indicador definido como tolerável pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é de 5%. Mesmo com esse nível do indicador, ainda não há um sinal claro da decisão do governo pelo racionamento de energia no País.

Segundo nota do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), o risco de déficit é de 6,1%. Esse número considera o despacho pleno das usinas térmicas disponíveis, como vem ocorrendo em 2015. Se considerado o uso parcial das térmicas ao longo do ano, como vinha sendo feito, esse indicador sobe a 7,3%.

Ainda segundo o CMSE, em janeiro as chuvas foram abaixo da média histórica na maior parte do País. Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, choveu nesse mês 38% da média histórica. Para a Região Nordeste, o risco de déficit de energia neste ano é zero.

O CMSE indicou que, “mesmo com o sistema em equilíbrio estrutural, ações conjunturais específicas podem ser necessárias, em função da distribuição espacial dos volumes armazenados”. Assim, mesmo que o Brasil tenha a energia necessária será preciso ter meios de transmiti-la até os locais de demanda, senão ações podem ser tomadas. O governo tem o projeto de construir usinas térmicas nas metrópoles da Região Sudeste para atender à demanda nos picos de consumo.

Em nota do CMSE, foi informado que “avaliações de desempenho do sistema, utilizando-se o valor esperado de afluências (água que chega aos reservatórios) e anos semelhantes de afluências obtidas do histórico, não indicam, no momento, insuficiência de suprimento energético neste ano”.

O mercado, entretanto, tem trabalhado com projeções menos otimistas. Nossa equipe da Prime Energy trabalha com uma metodologia diferente da do governo, e avalia que é grande o risco de os reservatórios atingirem níveis inferiores a um mínimo de segurança (10%). Por essa metodologia, esse risco já está acima dos 40% e, se confirmadas baixas expectativas de chuvas em fevereiro, esse número deverá se elevar em março, obrigando o governo a tomar medidas contra um risco de desabastecimento em  2015.

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