O que é eficiência energética e por que ela é considerada uma “fonte esquecida”?
Eficiência Energética - 08/01/2026
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A discussão sobre eficiência energética já não é, há algum tempo, algo restrito a conceitos ou teorias. Atualmente, ela ocupa papel central em políticas públicas, planejamento setorial e estratégias corporativas, especialmente em um cenário de transição energética global.
Mas, ainda é verdade que o conceito aparece descrito de forma frequente como sendo uma simples troca de equipamentos ou redução de consumo. No entanto, essa é uma visão simplista que pode ocultar seu potencial como “fonte esquecida”.
Por que a eficiência energética é considerada uma fonte esquecida?
“A eficiência energética é por vezes chamada de “fonte esquecida”, porque quando você deixa de consumir, você virtualmente está disponibilizando um megawatt hora para alguém usar. Então, na prática, ela se apresenta como uma fonte virtual de energia”.
Jônatas Lima | Diretor de Produtos, Inovação e Tecnologia da Prime Energy
Para compreender os detalhes do potencial da eficiência energética como fonte de energia, é preciso se aprofundar sobre o seu significado, que tem relação com uma ampla otimização capaz de tornar determinado sistema mais eficiente.
O que é eficiência energética?
Eficiência energética consiste em utilizar a energia de maneira mais racional, obtendo a mesma entrega de serviço/performance, ou até superior, com menor consumo. O conceito pode ser aplicado em diversos níveis:
- Equipamentos e tecnologias (motores elétricos, iluminação, condicionamento de ar);
- Edificações e processos produtivos;
- Infraestrutura de redes, incluindo transmissão e distribuição;
- Comportamento e hábitos de uso da energia.
Sob essa perspectiva, eficiência não se limita a “economizar”, mas a reduzir perdas ao longo da cadeia energética e aprimorar a conversão de energia primária em energia útil. É, portanto, uma medida de produtividade energética.
E por que a eficiência energética é chamada de “fonte esquecida”?
O termo, apesar de ser conhecido entre os profissionais do segmento, tem origem em análises de instituições internacionais, como a International Energy Agency (IEA), que frequentemente se refere à eficiência como “the first fuel”, que em português seria “o primeiro combustível”.
A expressão destaca o fato de que a energia evitada por meio de eficiência corresponde, em impacto sistêmico, à energia que seria produzida por novas usinas, frequentemente com custos superiores.
Mas, para simplificar, podemos considerar que o termo “fonte esquecida” se refere a dois aspectos principais:
- É uma fonte invisível
Enquanto a construção de uma usina hidrelétrica, solar ou eólica é facilmente percebida pela sociedade, a eficiência energética não deixa marcas físicas evidentes. Não há infraestrutura nova para inaugurar; há, sim, otimizações que reduzem desperdícios. Essa invisibilidade contribui para sua baixa visibilidade política e midiática.
- Atua de forma distribuída
Os benefícios da eficiência são fragmentados: pequenas economias em milhões de equipamentos, processos e edificações. Somadas, essas reduções representam volumes significativos de energia, mas como não se concentram em um único projeto, tendem a receber menos atenção.
Benefícios ampliados
A eficiência energética também possui um papel importante no enfrentamento dos desafios ambientais. Afinal, ela se apresenta como uma das formas mais eficientes de mitigação climática: ao consumir menos energia, reduz-se automaticamente a necessidade de geração adicional, especialmente em momentos em que o sistema recorre a fontes mais caras ou emissoras (como termelétricas).
Assim, a diminuição da demanda pode aliviar o sistema em horários críticos, reduzindo riscos de sobrecarga e melhora a resiliência da infraestrutura.
A eficiência energética é aplicável a todas as fontes?
Sim! A eficiência se aplica a todas as fontes: solar, eólica, hidrelétrica, nuclear, biomassa e térmicas. Em cada uma delas, há oportunidades de aperfeiçoamento tecnológico e operacional, sempre com foco na minimização de perdas.
É importante acrescentar que a eficiência energética não substitui as fontes renováveis ou a expansão do sistema, mas constitui um pilar fundamental da transição energética, com capacidade comprovada de reduzir custos, emissões e pressões sobre a infraestrutura.
Reconhecer seu valor e incorporá-la de forma sistemática ao planejamento e à gestão energética é uma condição essencial para construir um setor mais sustentável, resiliente e competitivo.
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