No mês de junho os valores passam de R$ 100 MWh por conta da chuva

15/06/2020

Prime Energy
Research

As grandes baixas nas chuvas influenciaram o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) que deve se manter acima de R$ 100 MWh no mês de junho. O esperado para esse período era de R$ 39,68 MWh, mas atingiu a média mensal na primeira semana de junho, de R$ 104,68 MWh, nos dois principais submercados, o Sul e o Sudeste/Centro-Oeste, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

De acordo com dados do InfoPDL, o grande agravamento se deve ao baixo índice ENA em relação a expectativas. Enquanto o Norte (ENA de 118% em maio) e o Nordeste (com bons reservatórios e ENA de 81%) estão mais favorecidos, os submercados Sul e Sudeste/Centro-Oeste marcaram 19% da média histórica e 80% abaixo da Média de Longo tempo (MLT), respectivamente.

O cenário desfavorável do Sul reflete no preço que tem projeção no PDL, de acordo com a CCEE, no Sudeste, de R$ 97,46 MWh. É o que enfatiza Mateus Tolentino, sócio da Prime Energy, que também destaca a contraposição com a região Norte. Nesses lugares, como Tucuruí, São Francisco, Belo Monte e Nordeste, a situação é positiva e possui boas condições de reservatórios.

Como aponta o diretor-executivo da Neal e ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, Edvaldo Santana, com o PLD alto, o valor do déficit de 20% que as hidrelétricas estão deixando de produzir inflaciona e fica mais caro. O contrário do que ocorre quando o PDL está baixo. Além disso, o risco hidrológico também é pressionado.

Indicativos de chuva

O submercado Sul contará com índices acima da média histórica nos próximos 15 dias nas bacias Uruguai, Iguaçu, Itaipu e Paranapanema. Também em grande quantidade aparecem os reservatórios de Três Marias e Serra da Mesa, atingidos pelas bacias dos rios São Francisco e Tocantins. Abaixo da média, estão esperadas as chuvas para as bacias de Paranaíba e Grande.

Baixa nas cargas

Desde que as medidas governamentais foram empregadas, no período de 21 de março a 22 de maio, a carga do SIN apresentou queda de 15% da demanda se comparada entre 1º de março e 20 de março, segundo a CCEE. Algumas das áreas mais afetadas foram a têxtil, a de veículos e a de serviços. Os preços de julho devem sofrer redução, já que a queda do mercado livre foi de 10%, chegando a 14% com migrações, pressionando a revisão da carga pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.

Edvaldo Santana destaca que se a carga se mantivesse a esperada e não existissem as baixas de 15% a 18%, o PLD estaria chegando de R$ 300 a R$ 400. Dessa forma, os preços médios ainda podem aumentar caso as atividades sejam retomadas.

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