A trajetória das energias renováveis no Brasil
Conteúdos - 12/03/2026
Prime Energy

Não é novidade dizer que a energia ocupa o centro das discussões globais de desenvolvimento: a digitalização, modernização e eletrificação de setores produtivos, bem como mudanças nos hábitos de consumo aceleram e impõem novos desafios para um suprimento elétrico robusto e estável.
O avanço de tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e dispositivos conectados expandiu rapidamente a demanda por data centers, hoje um dos maiores vetores de crescimento no consumo elétrico mundial.
Além disso, as metas globais voltadas a descarbonização também têm impulsionado uma transformação profunda na matriz elétrica mundial, colocando as fontes renováveis como protagonistas desse novo ciclo de desenvolvimento.
A International Energy Agency (IEA) destaca que a oferta global de eletricidade proveniente de renováveis segue crescendo de forma consistente e deve atingir novos marcos entre 2025 e 2026, sustentada pela expansão da energia solar, eólica, gás natural mais eficiente e nuclear.
Mas, você conhece a história das energias renováveis no Brasil?
Em nosso país, que ocupa um espaço importante na produção de energia renovável em escala global, compreender como a matriz energética se estruturou e se desenvolveu, é um passo importante tanto para apoiar a valorização das fontes renováveis, quanto para entender melhor e utilizar os seus benefícios em variadas soluções.
Veja como se distribuem hoje as fontes renováveis na matriz energética brasileira

Os avanços mais marcantes das últimas décadas no Brasil vêm justamente da combinação entre energia solar e eólica, cuja presença na matriz elétrica cresce de forma acelerada. Segundo dados do Balanço Energético Nacional 2025 divulgados pelo Ministério de Minas e Energia, as duas fontes somadas responderam por 23,7% de toda a eletricidade gerada no país em 2024, resultado impulsionado por um crescimento anual de 39,6% na geração solar e 12,4% na geração eólica.
Esse avanço acontece graças às condições naturais privilegiadas, como os ventos constantes no Nordeste e a elevada incidência solar no país, e ao amadurecimento tecnológico e regulatório dessas fontes.
No entanto, a expansão das fontes renováveis no país tem uma trajetória na qual a combinação das condições naturais privilegiadas do país, e de escolhas estratégicas, foram construindo gradativamente os passos para o Brasil, hoje, se tornasse um dos importantes agentes do desenvolvimento das energias renováveis globalmente.
Como se deu o início da energia elétrica no Brasil?
O serviço público de energia elétrica começou a ser realizado no país no século XIX, mais especificamente no ano de 1883, com a inauguração da iluminação pública da cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro.
O sistema era composto por uma planta de geração de eletricidade de 52 kW e com 39 lâmpadas de 2000 velas, mas representou um marco na energia elétrica nacional. Em julho de 1883, D. Pedro II inaugurou naquela cidade, o primeiro serviço de iluminação pública municipal da América Latina.
Fonte Hidrelétrica e sua importância nacional
Cerca de 6 anos depois da inauguração da iluminação pública no RJ, o país inaugurava a sua primeira usina hidrelétrica nacional: a Usina de Marmelos Zero, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Essa foi a primeira hidrelétrica do Brasil e da América Latina voltada ao abastecimento público.
Assim, ao longo dos anos 80 e 90, a eletricidade era ampliada especialmente para apoiar as atividades ligadas à mineração, e o serviço de eletricidade ia se organizando desde as empresas privadas que se formavam em torno das usinas geradoras e por meio dos investimentos estatais.
- Hoje, a hidrelétrica ainda ocupa um papel central na segurança energética do Brasil, funcionando como a base estrutural sobre a qual todo o sistema elétrico nacional se apoia.
Em 2024, as hidrelétricas responderam por 56% de toda a geração elétrica nacional, mantendo-se como o pilar da matriz mesmo em um cenário de diversificação acelerada.
Energia Solar e ampliação do horizonte de oportunidades
Uma das fontes com mais versatilidade no mercado, falar de Energia Solar no Brasil é falar de oportunidades e democratização dos benefícios das fontes renováveis. A energia solar deu seu primeiro passo histórico no Brasil em agosto de 2011, com a inauguração da Usina Solar de Tauá, no Ceará, que foi a primeira usina solar fotovoltaica em escala comercial da América Latina.
Com 4.680 painéis e capacidade inicial de 1 MW, ela abriu caminho para a consolidação dessa fonte renovável no país, impulsionada tanto pelos altos índices de radiação solar quanto por políticas de incentivo regionais. O marco de Tauá mostrou o potencial da tecnologia num país tropical, garantindo energia limpa suficiente para abastecer mais de mil famílias e atraindo investimentos e novos negócios para o interior cearense. Desde então, a energia solar cresceu vertiginosamente, tornando-se uma das principais apostas brasileiras para diversificação da matriz elétrica.
- A energia solar já acumula mais de R$ 239 bilhões em investimentos desde 2012, consolidando-se como uma das principais propulsoras da transição energética nacional e responsável por mais de 1,5 milhão de empregos gerados no período.
Hoje, a energia solar é considerada uma das principais apostas brasileiras para diversificação da matriz elétrica.
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Energia eólica e a crescente de investimentos
A energia eólica, embora tenha ganhado força nacional anos depois da solar comercial, também tem pioneirismo importante registrado no início dos anos 2000. Entre os parques que marcaram sua consolidação está o Parque Eólico Honda Energy, inaugurado em 2014 no Rio Grande do Sul o primeiro parque eólico dedicado exclusivamente ao abastecimento de uma indústria automotiva no Brasil.
Com 10 aerogeradores e 31,7 MW de capacidade, ele mostrou como a energia dos ventos poderia integrar estratégias corporativas de descarbonização e garantir autonomia energética. Hoje, a eólica já ocupa posição de protagonismo no país, fortemente impulsionada pelos ventos constantes do Nordeste, onde estados como Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará concentram os maiores parques eólicos brasileiros.
Biomassa: a termelétrica “verde” do Brasil

A biomassa é uma das fontes renováveis mais consolidadas do país e vem ganhando novo protagonismo nos últimos anos. Em 2024, ela representou 6,9% da matriz elétrica brasileira, com 16.329 MW de potência instalada, segundo o Valor Econômico. A biomassa é especialmente forte no setor sucroenergético, movida por bagaço e palha de cana, além de resíduos florestais e agrícolas.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) também destaca que a biomassa continua sendo parte essencial da matriz energética total do Brasil, com forte presença no setor industrial (junto com hidráulica e biocombustíveis) contribuindo para manter a renovabilidade geral do país em 50% da matriz energética.
Além disso, a biomassa responde por 42,6% de toda a geração termelétrica do país, sendo a principal fonte térmica nacional. Essa força vem não apenas da queima do bagaço de cana, mas também da expansão do biogás e biometano, com a produção de biometano crescendo mais de 12% em 2023.
Hidrogênio verde e a possibilidade de um novo salto
O hidrogênio verde também é uma das apostas mais estratégicas do Brasil para a próxima década, e já existe um movimento se consolidando para isso. O país tem mais de 13 projetos operacionais e cerca de 70 em desenvolvimento, grande parte no Nordeste, conforme o Observatório de Política Externa. Diversos estudos internacionais indicam que o Brasil está entre os candidatos mais competitivos do mundo para a produção de hidrogênio verde, podendo atingir custo próximo de US$ 1,47/kg até 2030.
Isso é impulsionado por fatores como:
- abundância de energia renovável (mais de 88% da matriz elétrica é limpa)
- baixo custo da eletricidade renovável,
- interesse crescente de governos e empresas internacionais
O BNDES já prepara o primeiro grande projeto nacional, com investimento previsto entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões na fase inicial e podendo chegar a US$ 7 bilhões em etapas posteriores. Veja mais aqui.
Embora haja desafios como infraestrutura, logística e definição regulatória, os estudos mostram que o Brasil tem todas as condições para se tornar um dos maiores produtores globais de hidrogênio verde.
Apesar dos avanços expressivos da energia solar, eólica e biomassa, ainda há um longo caminho a percorrer para que todas essas fontes alcancem seu pleno desenvolvimento. Os desafios passam por ampliar infraestrutura, modernizar redes de transmissão, criar marcos regulatórios mais robustos e destravar investimentos em tecnologias emergentes.
Nos próximos artigos, discutiremos outros aspectos da transição energética em conversa com pesquisadores e outros profissionais da área. Acompanhe.
Fontes utilizadas para este artigo:
- Fabricio Quadros Borges: “Análise histórica do setor elétrico brasileiro: uma revisão de literatura.”, Revista Observatorio de las Ciencias Sociales en Iberoamérica, ISSN: 2660-5554 (Vol 2, Número 10, mayo 2021, pp. 151-167). En línea: https://www.eumed.net/es/revistas/observatorio-de-las-ciencias-sociales-en-iberoamerica/ocsi mayo21/setor-eletrico-brasileiro
- Brasil gera 88% da sua energia elétrica a partir de fontes renováveis — Ministério de Minas e Energia
- Energia Solar Bate Recorde No Brasil E Atrai R$ 60 Bilhões Em Investimentos – Cenário Energia
- BNDES prepara projeto de US$ 3 bilhões em hidrogênio verde para 2025; veja os detalhes – Estadão
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